A remuneração fixa dos executivos está caindo?

Por: Henri Barochel

No Brasil, é difícil acreditar que os salários possam cair, mesmo em períodos de retração da economia, como o que estamos vivendo. Estamos acostumados a ver um crescimento pelo menos o equivalente à inflação, conforme pactuado pelas convenções coletivas.

A X|R Consultoria acabou de publicar o resultado da 3ª Edição do Estudo de Remuneração Executiva. A edição de 2019 contou com a participação de 80 empresas de diversos setores e portes que forneceram cerca de mil informações de remuneração de seus executivos.

Na análise da variação dos salários entre 2018 e 2019, considerando as mesmas empresas participantes, apuramos uma queda nos salários. Apesar da inflação de 2018 medida pelo IPCA ter sido de 3,8%, a queda dos salários foi de 2,4%.

Como isto acontece? Abaixo encontram-se algumas hipóteses.

· Substituição de funcionários com salários mais altos, por funcionários com salários mais baixos.

· Restruturações de áreas, com reduções no quadro.

· Demissões de altos executivos substituídos por executivos de menor senioridade promovidos internamente.

Medimos estas movimentações analisando o caso real da Empresa A. As tabelas e curvas a seguir mostram a fotografia do salário base da Empresa A em 2018 e 2019. O quadro a esquerda de cada curva apresenta a frequência de funcionários por nível salarial (grade) com a respectiva média de salários.

No gráfico abaixo podemos observar as duas curvas. A variação média do salário base de 2019 em relação a 2018 foi de -2%.

Havendo um predomínio maior de empresas em que as curvas salariais apresentaram uma queda em 2019 quando comparadas às curvas de 2018, isto significará uma redução salarial dos executivos, como de fato ocorreu.

Portanto, não se pode garantir o crescimento nominal dos salários em ciclos de desaquecimento da economia principalmente se esta retração vier acompanhada de demissões e restruturações nas empresas.

Sua empresa passou por restruturações nos últimos meses? Houve impactos nos salários? Envie seus comentários para [email protected] ou [email protected]