O que é ESG e qual sua relação com Remuneração?

Por: Henri Barochel

ESG é uma sigla em inglês (“environmental, social and governance”) que designa empresas comprometidas com questões ambientais, sociais e de governança.

Nos últimos anos, pressionadas pelos acionistas e pela sociedade, as empresas têm buscado uma maior conexão com a sustentabilidade e responsabilidade social corporativa. O lucro não deve ser o único objetivo. Movimentos encabeçados por CEOs de empresas dos EUA preconizam que as empresas socialmente responsáveis devem se juntar aos governos e as entidades filantrópicas, assumindo sua contribuição pelo bem-estar da sociedade.

Os gestores de fundos também acompanham atentamente este movimento. Uma boa parte do dinheiro no mundo já começou a se mover em direção a critérios mais sustentáveis de aplicação, num movimento liderado pelos mercados europeus, mas que tem ganhado adeptos nos EUA, no Canadá e no Japão. Um levantamento feito pela Aliança Global de Investimentos Sustentáveis (GSIA, na sigla em inglês), apontou que no início de 2018 havia US$ 30,7 trilhões aplicados em ativos de investimento sustentáveis nos cinco maiores mercados do mundo, o que indica crescimento de 34% em apenas dois anos (Fonte: Valor Econômico).

E como tudo isso se relaciona com a remuneração executiva? O movimento das empresas em serem sustentáveis já impacta diretamente o bolso dos executivos, com a inclusão de metas ESG nos planos de incentivos de curto e de pongo prazo. Os principais indicadores utilizados são os seguintes:

  • Segurança: acidentes registrados.
  • Meio ambiente: catástrofes ou incidentes ambientais, auditorias ambientais, derramamentos / vazamentos.
  • Diversidade e Inclusão: adesão à quotas.
  • Pessoas e Cultura: desenvolvimento de cultura corporativa interna e externa, saúde dos empregados, pesquisas de engajamento, planejamento da sucessão, gestão de talentos, etc.
  • Sustentabilidade e Responsabilidade Social Corporativa: ações filantrópicas ou trabalho voluntário, envolvimento nas comunidades onde a empresa atua, etc.

A Glass Lewis, líder global de Advisory Services voltada para investidores institucionais, emitiu em 2018 um relatório sobre Métricas de Sustentabilidade no EUA que examinou a prevalência nas empresas do S&P 500.

  • 177 das 510 empresas (35%) incluíram métricas de sustentabilidade nos seus planos de incentivos.

Nossos parceiros da Compensation Governance Partners do Canadá, realizaram uma pesquisa sobre a utilização de métricas de sustentabilidade nos programas de incentivos nas empresas que compõem o índice TRX 200, principal índice da bolsa de Toronto.

  • 119 das 196 empresas (61%) que compõem o índice TRX 200, possuem métricas de sustentabilidade nos seus planos de incentivos.
  • Os setores com a maior prevalência na utilização de metas de sustentabilidade são os de Energia, Materiais Básicos e Utilidades.
  • A maior prevalência dos indicadores ESG está nos planos de ICP. A utilização de indicadores de sustentabilidade nos programas de ILP ainda é baixa.

E as empresas as empresas brasileiras? Em que estágio encontram-se? Consultamos os formulários de referência das 15 maiores empresas da [B]3 em Market Cap. Em 5 delas (33%) foi reportado a utilização de indicadores ESG, com impacto direto nos planos de ICP. Os indicadores reportados estão relacionados abaixo:

 

  • Sustentabilidade e meio ambiente
  • Dimensão Social e Ambiental de Índices de Mercado
  • Acidentes e óleo vazado
  • Pessoas e cultura
  • Plano de sucessão

 

 

Os resultados ainda são tímidos quando comparados aos EUA e principalmente ao Canadá. Há portanto um longo caminho a ser percorrido pelas empresas brasileiras. O compromisso em ser ESG é uma tendência irreversível e estará cada vez mais presente na forma de fazer negócios das empresas. Os investidores e o público em geral estão de olho.

E a sua empresa, já utiliza indicadores de sustentabilidade? Mande seus comentários para [email protected] Um abraço e até o próximo artigo.